As opiniões aqui expressas são estritamente pessoais e não refletem a posição do governo ou de qualquer empresa.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Por onde ando

Mudei de emprego pra fazer algo que nunca tinha feito antes. E ando tão absorvido tentando aprender que não me resta tempo (interno e no relógio) pra mais nada.

Pra quem gosta de tecnologia e comunicação, eis um vídeo legal:

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Rio 2016

Parabéns ao Rio. Tomara que a festa seja bonita.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Ô de casa?

Parece que estou falando com e para as paredes. bla bla bla bla.

Vocês não tem aparecido por aqui, né?

Cadê vocÊs? Voltem!

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Ah! Os anos 80... (vejam até o final, please)

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Péricles

Hoje sonhei que o Péricles tinha morrido. E tinha sido porque ele mesmo quis. Lembro de uma cena com as cinzas dele, brancas, voando... No sonho, eu também tinha que morrer, mas, na última hora, resolvi fugir e não morrer. Por fim, descobri que estávamos sendo forçados a isso, mas o Péricles não havia percebido e tinha ido antes.

Fiquei feliz ao vê-lo conectado no MSN hoje pela manhã.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Inspire fundo

A peste chegou. Tem escola fechando no bairro vizinho, criança de máscara, gestos arredios. Os que ainda nos arriscamos a ir trabalhar, cumprimentamo-nos à distância. Nada de aperto de mão, abraço, dois beijinhos. Alarme ao menor sinal de nariz entupido. Maldizer a fragilidade da condição humana e a superpopulação planetária é o que cabe aos pobres diabos trancados em casa, sob murmúrios aflitos - "Vírus espírito de porco". Só nos resta uma coisa a fazer: vamos à rua, tomar vento na cara, correr pelas calçadas e alamedas, andar de mãos dadas, beijar desconhecidos, varar a noite no derradeiro porre, antes do de amanhã. A morte é o verdadeiro vírus, e ela está em toda esquina, no segundo seguinte, no próximo passo. Vamos sair hoje à noite, como se não houvesse amanhã. Na verdade não há.

*

E aproveitando a deixa, a música que me inspirou, do grupo Squirrel Nut Zippers (baixem o disco, é muito bom, jazz rememorado).

La Grippe

There's a flu bug getting passed around
Spreading like fire through this town
There's a virus holing up inside us
Each one that I know is coming down
There's an Asian influenza
Infecting us all by the scores
And it's turning into pneumonia
We must go out once more
There's a fool moon howling at the night
And each bark is much worse than each bite
So we must go out and dance around
Yes we must go tonight
So the doctors came on the evening train
With their flasks and their caskets and vials
Mass psychosis was their diagnosis (yes)
So we all cashed our checks and went wild
There's a fool moon howling at the night
And each bark is much worse than each bite
So we must go out and dance around
Yes we must go tonight

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Rasante

Aparentemente não havia relação entre os fatos: um peixe pousou em sua varanda esta manhã, e lá de cima ele vê um novo mendigo dançando na esquina. Décimo-segundo andar. Catou o jornal na porta como sempre, do meio do sono desarrumado lembra de ter visto mulher e crianças saindo a caminho da rotina matinal, rumou para a varanda em busca de um pouco de sol. Como sempre. Foi quando o eletrizou um sobressalto de pisar escorregando em algo mole e molhado, gelado, brilhante justo no raio de sol quando desliza até bater no vidro fumê que demarca a varanda. Um peixe! Um peixe... Não, não tem asas, não é peixe voador. Mas se mexe, está vivo! Um pouco ferido mas... um peixe vivo na varanda do seu décimo-segundo andar! Como pode, um peixe vivo? O olho rútilo parece fixo nele, mas sem expressão. A vida vem das guelras que se abrem e fecham, das escamas ainda coloridas. E agora, o quê? O bicho é grande, mais de um palmo, não coube no pequeno balde a duras penas encontrado sob um armário da área de serviço. Malajambrou-se numa travessa de peixe, funda, suprema ironia, sob os retalhados raios de luz que subiam refletidos pela Baía da Guanabara. A Baía de Guanabara... Parece chamar seu filho de volta às águas. Olha o mar, o Pão de Açúcar, gaivotas em rasantes. Vem a fome, o peixe respira lentamente, o jornal sofreu alguns respingos mas dá para ler. O café foi deixado pronto na garrafa térmica, tem pão e manteiga, não custa servir-se. Depois... Depois levar o peixe de volta. É o que se esperaria dele, se houvesse voz superior a esperar alguma coisa. O peixe voador que aterrissou em sua varanda. Vindo de onde? Mal lê o que lê, seção de Política, sempre a mesma ladainha. Vindo de onde? Um peixe caído do céu, o jornal repousando à mesa, a Baía de Guanabara, o Pão de Açúcar e um canto estridente vindo de baixo. Na rua, o mendigo, ou doido, dança sozinho, faz poses de artes de marciais e avança — meio corajoso meio precavido — para dentro do asfalto, onde ônibus lhe passam rentes. Um mendigo desconhecido. Ou doido. Não o doido de todo dia, aquele bêbado que misteriosamente aparece volta e meia asseado, algum favor de vizinho, quem sabe um emprego. O novo homem não dura uma semana, já-já estará na sarjeta de novo. Não, é um doido novo, o das poses marciais. Quase não faz barulho, de vez em quanto o canto estridente, anúncio de golpe no ar. Não se vê o adversário, mas e daí? Ninguém o vê. Passantes o ignoram como a um outdoor mal feito. E eis que surge o outro mendigo, o bêbado, o conhecido da vizinhança. Está num dia razoável, anda com ajuda de bengala, mas não disfarça a surpresa de ver o outro tomar-lhe a cena no pedaço. Diminui o passo, depois olha para trás. Para, volta a andar. E daí?, terá pensado, ninguém o vê. A ele, o louco tradicional, todos veem. Não o explicam, mas o veem: o outdoor bem feito mas datado, puseram ali e esqueceram. A vista conhece, mas não se esforça mais para entender. Espirra água da travessa de peixe, um golpe certeiro vara o ar, um bater de asas sacode ali perto e faz vento em sua cara. A gaivota! Veio buscar o peixe que lhe escapara das garras. Em vão: este está salvo, por obra e graça do destino, ao menos desta vez. O homem agora pode dedicar-se a seu pão, embora com alguma pressa devido ao avançado da hora. O discurso do deputado volta a fazer sentido, se bem que um dia aquele jornal pode vir a embrulhar o mesmo peixe. E daí? Ao atravessar a rua, é só desviar da dança mendiga e procurar um cantinho mais fundo para depositar com sucesso o presente vivo de seu despertar. Depois correr à garagem e fazer o carro tirar o atraso. Qual é mesmo a pauta da reunião de hoje?

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Bilas

Ontem tive uma nova experiência. Compus (letra e melodia) de uma música!

Amei. Agora estou providenciando um equipamento mínimo para uma gravação minimamente decente. Amanhã não trabalho e vou ficar o dia inteiro fuçando nisso. :)

Depois meu amigo André vai colocar instrumentos. E daí, posso mostrar pra vocês (se não ficar com vergonha). :)

:D

terça-feira, 26 de maio de 2009

Playing for change

Imagino que vocês já conheçam o projeto Playing for Change. Um projeto genial que reune artistas de todo o mundo, muitos de rua, cantando e tocando a mesma música sem se encontrarem. Um grava primeiro, o segundo enquanto escuta a gravação canta ou toca por cima e assim por diante.

Eles lançaram um novo episódio. Gostei também. Mas continuo preferindo o segundo, que coloco aí embaixo. Perdoem se isso for um repost. :)

Simplicidade e emoção

Cada vez mais, à medida que percebo todo tic tac do meu tempo, valorizo e persigo a simplicidade. Com bastante insucesso, diga-se de passagem. Este curta, foi feito apenas con celulares e o orçament total foi de U$40,00. Não errei. Quarenta dólares mesmo.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

São Paulo, cidade maravilhosa

São Paulo, 1943.

A produção do vídeo (15 min) é do governo estadunidense e coaduna com o espírito da época (fim da II GM). Exageros ufanísticos à parte, não deixa de ser interessante ver como era bela a cidade e a vida naquela época, ao menos para aqueles que tinham condições. E com direito a Carlos Gomes no começo e no fim.

terça-feira, 12 de maio de 2009

segunda-feira, 11 de maio de 2009

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Adorei

Adorei esta propaganda. Tenho que me segurar, porque de vez em quando sou tão chato quanto aquela mulher, hehehe... Mas, no fim, tudo tem que acabar em samba mesmo, senão a vida não presta.


quinta-feira, 7 de maio de 2009

Abate Halal

Halal é uma palavra árabe que significa legal, permitido. Todos os alimentos são considerados halal, exceto:

- carne de porco e seus derivados;
- animais abatidos de forma imprópria ou mortos antes do abate;
- animais abatidos em nome de outros que não sejam Alá;
- sangue e produtos feitos com sangue;
- álcool e produtos que causem embriaguez ou intoxicação; e
- produtos contaminados com algum dos produtos acima.

Animais como os bovinos, caprinos, ovinos, frangos podem ser considerados Halal, desde que sejam abatidos segundo os Rituais Islâmicos (Zabihah).

A técnica de abate Halal deve seguir os seguintes passos:
1- O animal deve ser abatido por um muçulmano que tenha atingido a puberdade. Ele deve pronunciar o nome de Alá ou recitar uma oração que contenha o nome de Alá durante o abate, com a face do animal voltada para Meca.
2- O animal não deve estar com sede no momento do abate.
3- A faca deve estar bem afiada e ela não deve ser afiada na frente do animal. O corte deve ser no pescoço em um movimento de meia-lua.
4- Deve-se cortar os três principais vasos (jugular, traquéia e esôfago) do pescoço.
5- A morte deve ser rápida para evitar sofrimentos para o animal.
6- O sangue deve ser totalmente retirado da carcaça.

Fonte: The Islamic Food and Nutririon Council of América e The Muslim Food Board (em www.abef.com.br)

Índios

Já vi muitos protestos aqui na Esplanada: servidores públicos, advogados, professores, sem-terra, pequenos agricultores.

Agora mesmo estão passando uns índios aqui. Vão fazer um ritual em frente ao STF. Esses, sim, têm uma situação difícil, coitados...

quarta-feira, 6 de maio de 2009

O discurso oficial e o falso amor sincero

Estava ouvindo teorias sobre o discurso oficial, com o tédio que a situação permite e evoca, quando o Embaixador passa a explicar as relações de amizade entre Estados e a cantarolar:

O nosso amor é tão bonito
Ela finge que me ama
E eu finjo que acredito

O nosso falso amor é tão sincero
Isso me faz bem feliz
Ela faz tudo que eu quero
Eu faço tudo o que ela diz

Aqueles que se amam de verdade
Invejam a nossa felicidade

E viva o samba de Nelson Sargento!

terça-feira, 5 de maio de 2009

conselhos de uma lagarta

A lagarta e Alice olharam-se por algum tempo em silencio. Finalmente, a Lagarta tirou o narguile da boca e perguntou, em voz languida e sonolenta:

- quem e voce?

Nao era um comeco de conversa muito animador. Um pouco timida, Alice respondeu - Eu... eu... nem eu mesmo sei, senhora, neste momento... eu... enfim, sei quem eu era, quando me levantei hoje de manha, mas acho que ja me transformei varias vezes desde entao.

_ Que e que voce quer dizer com isto? Explique-se!

_ Acho que eu mesma nao posso explicar - disse Alice - porque eu nao sou eu, esta vendo?

_ Nao, nao estou.

_ Acho que nao posso explicar melhor - replicou Alice com polidez - porque eu mesma nao consigo entender, pra comecar. E depois, ter tantos tamanhos diferentes num dia so e muito confuso.

_ Nao, nao e.

_ Bom, nao sei. Talvez a senhora ainda nao tenha passado por isso - continuou Alice - mas quando tiver que se transformar numa crisalida... pois isso lhe acontecera um dia, nao e?... e, depois disso, numa borboleta, tenho a impressao de que achara meio esquisito, nao?

_ Nem um pouco.

_ Bom, quem sabe sua maneira de sentir talvez seja diferente - disse Alice - mas o que sei e que tudo isso pareceria muito esquisito para mim.

_ Voce! E quem e voce?


Nao e genial? Eh um trecho de Alice no pais das maravilhas, claro.

Quais os 5 livros que voces mais amam? Talvez eu mesma tenha uma grande dificuldade em fazer esta lista.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Amor e poder

Alguém poderia definir, por favor, amor e poder?

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Só para meninos

Melhor colégio do Brasil pelo segundo ano consecutivo (ENEM), o São Bento, no Rio, só aceita garotos.


Pra mim isso não é acaso. Na adolescência, nada pior para a concentração e a disciplina do que os hormônios em ebulição. Sem a tentação da meninas em flor, é certo que os rapazes se dedicam melhor aos estudos. Concordam?

Ou então é apenas mais uma prova da supremacia intelectual masculina mesmo...

Vem, vamos embora...

Um megafone aqui embaixo não está me deixando trabalhar. É uma gravação convocando para assembléia geral do sindicato dos guardadores de automóveis. Ao fundo, "Pra não dizer que não falei de flores".

Tudo bem, flanelinhas: têm todo direito de lutar pelos seus direitos. Mas podiam recauchutar a trilha sonora, nénão? Quarenta anos depois, essas flores já têm cheiro de mofo. Só faltar carregarem retratos do Che.

Sugestão mais contemporânea: "Até quando?", de Gabriel O Pensador. "Quando a gente muda o mundo muda com a gente".

terça-feira, 21 de abril de 2009

O Rei do Gatilho

Alguém já ouviu isto? O vídeo é montagem. Essa é uma das lembranças mais antigas que tenho... Lembro que eu brincava na rua, e o vizinho tinha um LP com essa música... e a gente brincava de encenar o que se passava na música, mocinho x bandido. Que saudade daqueles tempos politicamente incorretos!

quarta-feira, 8 de abril de 2009

rejuvenescimento senil

Fiquei mais ou menos um mês falando para todo mundo que eu estava fazendo meu aniversário de 38 anos. Falei para amigos, parentes, conhecidos... Mas, há pouco, um amigo que faz aniversário neste mês desconfiou que havia algo errado (tínhamos um ano de diferença de idade e, de repente, eram dois). Na ponta do lápis, apuramos que eu estava errado, confundi minha própria idade: meus 37 anos haviam desaparecido.

Quem sabe fonte da juventude não está na demência senil?

terça-feira, 31 de março de 2009

Sentimentos 3

Vejam que bonito do Bob Marley. Não considerem sexista. Vale trocar o "she" por "he".

You may not be her first, her last, or her only. She loved before she may love again. But if she loves you now, what else matters? She’s not perfect - you aren’t either, and the two of you may never be perfect together but if she can make you laugh, cause you to think twice, and admit to being human and making mistakes, hold onto her and give her the most you can. She may not be thinking about you every second of the day, but she will give you a part of her that she knows you can break - her heart. So don’t hurt her, don’t change her, don’t analyze and don’t expect more than she can give. Smile when she makes you happy, let her know when she makes you mad, and miss her when she’s not there.

sábado, 28 de março de 2009

sentimentos 2


The Chestnut Tree, de Hyun Ming Lee (Vídeo visto originalmente em http://blog.hiro.art.br)

sentimentos

Angustia eh quando o Diabo enfia a mao no seu peito e fica apertando o seu coracao por alguns minutos. Olhando no seu olho. E voce nao sabe se ele vai solta-lo ou esmaga-lo de vez.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Dio, Come ti Amo

Agora sim, falemos de arte.

Um dia fiquei empolgado porque topei com o presidente de um país vizinho no trabalho. Comentei com meu ex-chefe, que retrucou: "os políticos já não me encantam. Emociono-me muito mais com os artistas".

O vídeo abaixo é exemplo de arte, da mais fina. Perfeito casamento entre filme e música. Assim como o espanhol, Peri, acho que qualquer língua pode ser bela, bastando haver arte no que se faz. Neste caso, é italiano (você fala italiano, afinal?).

Pequenas observações, conectadas com o que já se falou aqui:

- Noto, nos fimes antigos, que os casais não eram muito jovens. As moças lá pelos seus vinte-trinta e os rapazes-garanhões com certeza depois dos vinte e cinco, mas muitas vezes lá pelos quarenta ou mais. Com raras exceções - como um Sean Connery fazendo galã aos sessenta - aposenta-se o amor muito cedo hoje. Nos filmes atuais, o romance ocorre aos desesseis ou antes, como a Juno ou, no máximo, Brangelina. Mas não é o mesmo romance. Um amor maduro tem uma profundidade que não se alcança na juventude. O artista maduro também. Com exceção de um Mozart precoce, que foi exceção em tudo, a maturidade artística vem com a idade. Brahms que o diga. Para ouvir e sentir, tem que ter mais de 30.

- Final feliz. Porque a vida não tem final feliz? Por que fizeram algo estranho, que emenda começo com meio e reinício, interrupção e depois um fim quase sempre abrupto? Se Deus fosse artista, teria feito um "Fine" como este. Vai ver, Deus é parente do Kandinsky (que era artista também, mas que é difícil de entender).

- O amor ardente. Onde foi parar? Por que já não se vive mais romance assim? De cantar e de chorar? Será que vivemos um amor de supermercado, cortado pela novela das nove? Não temos tempo livre para simplesmente... sentir?

- O silêncio. Reparem na pausa dramática, no fim da música. O silêncio dolorido. Não faltam pausas dramáticas em nossas vidas?

- O que é a vida... tão linda a Gigiola Cinquetti neste vídeo. Como terá sido seu fim?

- Nostalgia. Nostalgia é saudade daquilo que não se viveu.

Por fim, deixaram um belo post no youtoube, justamente em espanhol: "respiro mejor el dolor, con el sonido del amor, aunque esté lejos".



Dio come ti amo!
Mi vien da piangere,
in tutta la mia vita
non ho provato mai
un bene così caro,
un bene così vero.

Deus como te amo!
Dá-me vontade de chorar,
em toda minha vida
não provei nunca
um bem assim tão caro,
um bem assim tão verdadeiro.

Deseo

Descobri — não sem algum atraso, reconheço — Fito Paez.

Nos anos 80/90, música argentina era encarada por aqui com certo deboche. “Argentina?!”. Ora, se há algo em que nos sentimos plenamente auto-suficientes (maldita reforma: autossuficientes?!?) é na música. Fito avançou um pouco por sobre o preconceito depois que os Paralamas o descobriram, tornaram-se parceiros e abriram algumas portas. Mas eu só lhes abri os ouvidos depois de ver uma série no Multishow chamada "Influências", sobre como os músicos latinos vêem os brasileiros, e vice-versa. Descobri o descompromisso-pop do argentino Kevin Johansen, o lirismo-moderninho do uruguaio oscarizado Jorge Drexler e... finalmente... Fito.

Hoje tenho 4 discos dele no meu MP3, e não canso de ouvir. É um roqueiro sincero, grandiloquente, de som volumoso, piano generoso e arranjos minuciosos, e a cereja do bolo são as letras: verborrágicas, longas, emotivas, cheias de referências, cantadas com a alma em melodias que descem redondo. O cara é um artista maiúsculo. Não restam muitos assim no pop do autossuficiente Brasil.

Toda esta falação pra chegar a outro ponto. Meu som no momento é Fito Paez. Argentino. Meu escritor preferido, cravo sem titubear: Julio Cortázar. Argentino. Cineasta? Ok, há alguns no meu Olimpo — mas Almodóvar é de uma excelência inabalável. Espanhol. Pintores? Não é muito minha praia, mas dois dos que mais me impressionam são Picasso e Dalí. De onde? Pois é.

Em resumo: concluí que algo en mi alma desea la fuerza hispânica. Por que teríamos de nos submeter à birra histórica lusa?

No privilégio que tive de rodar quase toda a Europa quando meus pais bancavam as viagens, nunca pisei na Espanha. Nas poucas voltas que dei pela América do Sul (em condições idem), a Argentina não entrou no roteiro.

Agora que as viagens são frutos de anos e anos de planejamento e poupança, dois destinos já tenho certos.

Enquanto não zarpo, convido: vamos falar de arte?

terça-feira, 24 de março de 2009

Liberta-me!

Sabe quando você gostaria de ser outra pessoa?

Queria ser outro para fazer aquelas coisas que eu faria se não fosse eu.

Seria eu mesmo fazendo, mas seria outro.

Imagino um eu estar numa praia em Miami, bronzeado, surfando, bebendo, festando.
Um outro eu poderia estar lendo Pa-larvas, com todo o tempo, admiração e prazer.
Um eu mais novo poderia estar começando a namorar agora, dando o primeiro beijo, deixando a primeira namorada, indo para a primeira viagem.
Um eu mais velho tocaria violino em uma orquestra.
Um incerto eu mais inescrupuloso poderia estar saindo com aquela puta das pernas lindas, minissaia e cabelo falso, puro tesão.
Mas um eu talvez estivesse caminhando agora à noite, sentindo a brisa, o cheiro do mato, sentindo o chão de terra nos pés descalços.

O fato é que eu, não um eu outro, estou aqui, preso no meu id.


*id: substantivo masculino
Rubrica: psicanálise.
sistema básico da personalidade, que possui um conteúdo inconsciente, por um lado hereditário e inato e, por outro, recalcado e adquirido, de acordo com a segunda teoria freudiana do aparelho psíquico

segunda-feira, 23 de março de 2009

confissão

Ok, esta é a minha situação: tô deprimida ansiosa dda gastritica sofrendo assustada com medo improdutiva angustiada. Assim mesmo, sem vírgulas. E por isso os espaços. Os vazios contam.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Zoon e nóóz

Parabéns, Zoon! Seu aniversário é daquelas datas marcadas a tinta indelével no calendário mental. As vantagens das amizades de longa data. Gosto deste seu codinome, o Z que rola por sobre os dois OO para cair deitado em N. Não sei se foi consciente, mas é quase um anagrama do seu nome artístico nos áureos tempos de rock n’ roll, lembra? Troque o Z pelo R pra ver.

É bom contar com pessoas com as quais se pode ter um papo totalmente incompreensível para os não-iniciados. Algumas coisas só fazem sentido cá entre nós. E que bom que ainda existe este cá, D-A-Tório repaginado em molde tecnológico. E com a notável substituição de Dan por Bila — seres que (repare bem) têm lá suas semelhanças.

Por tudo isso, parabéns. Se tudo correr bem, contamos ainda com umas boas quatro ou cinco décadas para nossos prazerosos duelos mentais em torno da insustentável realidade. Até lá, haveremos de, juntos, desmontá-la até o último parafuso.

O amor: um tapete preto no meio da sala

Ela acordou e, como sempre, se voltou para o lado esquerdo para abraçar o corpo magricelo do marido. Ainda meio sonolenta, passou o braço em volta da cintura dele e sentiu pelos. Sim, pelos. Abriu os olhos com preguiça e certeza de que tinha uma explicação para ter tido esta sensação - o gato, talvez, tivesse aberto a porta e subido na cama. Com as palpebras no meio dos olhos visualizou o que mais tarde ela chamaria, contando para sua irmã, de "aquele tapete preto de chenile". Arregalou os olhos. O braço do marido estava coberto de pelos. Pelos que nao estavam ali antes. Mas muitos pelos, nao se via a pele.
Pensou por dois segundos onde estaria errando. Pois claro, não podia haver pelos ali, ainda mais naquela quantidade. Seu marido sempre fora imberbe. Nao conseguiu pensar em nada. Quis virar o corpo todo do marido para o seu lado para acorda-lo e perguntar o que era aquilo ou pior: para confirmar alguma surpresa maior ainda do que o novo braço peludo dele. Mas estava com um pouco de nojo e medo de tocar nele.
Curiosamente, neste instante, ele se virou pra ela, ainda dormindo. E este foi provavelmente o momento mais estranho que aconteceu na história da humanidade, mas que infelizmente ficou guardado entre ela e sua irmã. No máximo com uma amiga da irmã (que não resistiu e contou). O marido tinha pelos pelo corpo todo. Bem, esta explicação está ruim. Ele não tinha pelos apenas, ele tinha pelos longos, grossos, pretos pelo corpo todo. Mais pelos que um macaco. Aliás, ele se parecia muito com um macaco, um pouco mais feio porque lhe faltavam os olhos doces que todo símio tem.
Ela não se conteve. Soltou um grito silencioso. Aquele suspiro com a respiração presa depois, como um grito pra dentro. E ficou paralisada, olhando pra cara dele.
Ele, o Arnaldo, aquele homem por quem ela se apaixonou desde o primeiro encontro. Aquele homem barbeado, e bem barbeado. Rosto liso, lindo. Advogado, na verdade promotor público, tão promissor, o melhor genro dos seus pais (todos sabiam veladamente que o Arnaldo era o genro favorito). O homem pra quem ela se entregou completamente, se dedicou, fez striptease pra esse homem. Esse não, aquele.
O Arnaldo, que seria o futuro pai dos seus filhos, tinha virado uma espécie de bicho. De bicho não, uma espécie de monstro, um pequeno king kong, uma bizarrice como a mulher barbada do circo. Assim que pensou na mulher barbada do circo foi correndo para o espelho. Ufa! Estava normal. Que alívio. Seu único problema agora seria se livrar do Arnaldo Kong. Sim, e se livrar é uma palavra forte demais mas ela não tinha outra opção. Ela não ia viver com aquilo, mostrar pras amigas, sair com ele ou qualquer coisa do gênero. Na verdade, ela queria muito que ele desaparecesse. Ela preferia dizer que tinha sido abandonada a se mostrar ao lado dele.
Quem sabe o zoológico aceitasse o Arnaldo? Ela podia dizer que ele era um espécime único de chimpanze. Melhor! O Elo perdido! Um descendente do Elo perdido! Ou o elo perdido tinha sido o ultimo dele? Será que acreditariam? Mesmo assim ela teria que leva-lo de carro até o zoológico. Descer no elevador, encontrar vizinhos... e a câmera do elevador? Não, de jeito nenhum. Ir a um circo daria na mesma.
Ficou imaginando se ele ainda sabia falar. Ok, o Arnaldo nunca foi bom de comunicação, mas não saber a língua é diferente. Se ele ainda pudesse falar isso iria acabar com os planos dela de vender ele pro zoológico. Vender, claro, pois a essa altura ela já tinha se dado conta da raridade que tinha nas mãos. Se ele ainda soubesse falar ninguém acreditaria em homem-macaco, elo perdido, espécime raro ou nada disso. Fariam uma depilação a laser nele e pronto. Como se isso pudesse trazer seu Arnaldo de volta. Nunca mais teria seu Arnaldo de volta. Agora era dar a volta por cima e tirar proveito da situação, como sua avó lhe ensinou desde pequena.
E ele não acordava para resolver o mistério da fala. Continuou esperando. Não exatamente esperando, mais pensando do que esperando. Desejava intimamente que ele não acordasse mais. Daí, ela até poderia mesmo fazer um tapete preto pra sala. Um tapete pra sala... um tapete novo e preto pra sala. Nao seria de chenile, mas seria de Arnaldo. Até combinaria com seus móveis. Ela não precisaria tirar o corpo do apartamento. E ainda ficaria com uma parte do Arnaldo ou um pedaço dele pra si, pra sempre, ali. Os detalhes da transformação do Arnaldo em tapete são desnecessários. Podem parecer bizarros, mórbidos, apesar de tudo ter sido feito com muita delicadeza e amor. 5 dias ela ficou dentro do apartamento neste trabalho. Se dedicando ao Arnaldo. Fez o melhor que pode. E fez o melhor por ele. Ele ficaria feliz se visse o resultado. E até hoje, o Arnaldo está ali, enfeitando sua sala, combinando com seus móveis. De vez em quando, secretamente, quando as crianças estao dormindo e o marido vendo futebol, ela alisa o tapete preto.
E suspira.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Twitter: estar ou não estar

Por que vocês não estão no twitter? Ou estão e não os encontrei? Pode parecer bobo, mas tudo depende de como se usa e com quem se fala. Eu gostaria de falar com voces por lá também. Vamos?

quarta-feira, 18 de março de 2009

E agora, uma gastrite. Pra completar.
Já não bastava todo o resto.

É foda, viu? Passei a tarde em pronto-socorro.

E vocês?

quinta-feira, 12 de março de 2009

Para descontrair

Não aguento mais ser rechaçado...

quarta-feira, 11 de março de 2009

Meus caros amigos

Nossa! Quanta coisa acontecendo por aqui e eu de fora! De fora nao, na verdade de dentro. Dentro do meu Rivotril (entre outras caixinhas tarja preta).

Mas gostei de entrar aqui e ver que voces continuam e... sentem minha falta! (Zoon disse: cade nossa amiga?).

Nao estou me sentindo a altura de argumentar com voces com dados historicos e estatisticas. Politica nao eh meu ponto forte e nunca foi. Talvez o melhor que eu possa fazer seja contar minhas experiencias com o Brasil, com Brasilia e com Sao Paulo (infelizmente ainda nao fui morar no Rio de Janeiro, mas pretendo).

Sendo filha de maranhense e mineiro, filha de costureira com funcionario publico estadual e com mais duas irmas, nunca pudemos viajar de ferias de aviao (quando fiz minha primeira viagem de aviao voces ja me conheciam). Isso me deu de presente conhecer boa parte do interior do pais, que alias, pra mim eh a melhor parte deste pais (nao julguem aqui preconceito, pelo menos nao ainda).

E eh a melhor parte para mim porque la estao as pessoas preocupadas em viver. Ou melhor, as pessoas nao estao preocupadas em viver, estao vivendo. Ha muitas pessoas que tem pouco, muito pouco (estou falando do Maranhao, Para, Tocantins, Minas e do proprio Goias) e sao FELIZES. Pois eh, felizes. Parentes meus inclusive. Obviamente nao estou falando de uma situacao de miseria e fome. Mas estou falando de pessoas que comem carne uma vez por semana, que falta o remedio da pressao alta no fim do mes, coca-cola so em dia de festa e todos os irmaos dormem juntos no mesmo quarto porque a casa eh pequena demais. Pessoas que nao tem acesso a cinema, carnaval ou futebol (porque essas coisas nao chegam ate elas a nao ser pela TV - que essa todo mundo tem). E se eu comparo a minha vida - tenho um bom salario, trabalho mais que uma mula (nenhum preconceito contra as mulas), tenho acesso a livros, cinemas, carnaval (ano que vem estarei na Mangueira, meninos, me vejam na Globo!) e contribuo para o crescimento do pais - pelo menos acho absurdo o valor que pago de imposto direta e indiretamente, pois bem, quando comparo minha vida com a dessas pessoas nao sinto nenhum orgulho. Pelo contrario, minha sensacao eh de "putaqueopariu o que eu to fazendo com meus 60 ou 70 anos de vida?"

E sabem por que penso isso? Porque nao faz diferenca, Zoon. Se matar de trabalhar ou nao se matar de trabalhar neste pais parece fazer diferenca apenas para os empresarios e para os politicos que estao todos de complo. Se eu ganho 10.000 por mes estimo que faturo pelo menos 300.000 pra empresa que trabalho. Desses 300.000, vao la uns 200.000 pro governo. E a gente nao ve esse dinheiro voltar pra sociedade!

Entao, queria resumir com alguns pensamentos mesquinhos e pobres meus:

1) Este desenvolvimento conitnuo da Alemanha e Japao acontece por esforco mutuo de sociedade + governo. Porque mesmo que todo mundo produza muito, as pesquisas, as rodovias, as ferrovias, a educacao e a saude tem que ser propiciadas pelo Estado. O fomento ao emprego tem que ser propiciado pelo estado. Ou seja, existe um ciclo ai. Mas quem tem condicoes de botar essa roda pra girar, eh o governo. Pois por mais que a gente se mate de trabalhar, quem decide onde investir nossa contribuicao eh o governo. Mas nossos governos nao tem feito isso muito bem.

2) Outra coisa, existe um problema de proporcao ai. As pessoas nao so tem que ter lazer, como MERECEM lazer. Com todas as merdas que o governo faz, tirar 4 dias pro carnaval e alguns fins de semana pro futebol (FINS DE SEMANA), quer saber? Acho pouco. Acho muito pouco pro que a gente tem em troca. E acharia pouco mesmo que a gente tivesse bem mais em troca. Tenho muitas duvidas (talvez eu pareca bem estupida agora) se a gente precisa desse desenvolvimento todo.

3) Todos merecem lazer. Americanos, brasileiros, alemaes, japoneses, chineses, africanos, malaios e esquimos. E tem lazer, viu? Munique para na oktoberfest, EUA tem paradas pra tudo quanto ha, quase todo mes e assim vai.

4) Este ponto eh a continuacao da minha observacao final no item 2: tenho duvidas se precisamos deste desenvolvimento todo. Mas quis colocar em outro item para explicar melhor e dar mais importancia. O mundo, do jeito que esta sendo formatado tem criado uma distancia cada vez maior entre tecnologia e ser humano. Quero dizer que o desenvolvimento tecnologico esta super avancado (a ponto de termos robots de companhia no japao, construidos com sua feicao se voce quiser) e muito, mas muito atrasado "espiritualmente" - por favor, entendam o sentido nao-religioso). Pra nao dizer estagnado. Sou contra o desenvolvimento? Nunca! Mas acho que ta na hora de selecionar, mundialmente, as areas em que o investimento deve continuar. E que o motivador nao seja a ganancia. Utopico, como sempre.

5) a ultima: muitos servidores publicos trabalham e querem trabalhar. Mas essa maquina do governo me parece burra.

Agoras algumas questoes pessoais:

Zoon, te convido a ir desfilar na mangueira comigo no ano que vem. Desculpe a honestidade, mas esta eh a melhor parte em se ter amigos verdadeiros. Ja houve outros posts em que achei tambem que voce tinha entrado num castelo (como disse Peri). E Brasilia pode fazer isso conosco. Conheco Brasilia tambem, e sei bem da periferia. Mas o plano piloto eh um lugar que nao existe. Muitas vezes levei o Gab ao Gama porque tinha receio dele achar que o BRasil inteiro fosse como o plano. E, te conhecendo, e conhecendo sua dedicacao e sua ppreocupacao legitima e generosa por um mundo melhor, eh que sei da sua preocupacao com o desenvolvimento do pais. Mas este povo eh e merece mais que isso. Nao existe um monte de gente "vivendo uma fantasia sem fim". Existe um monte de gente ralando pra caralho e aproveitando um pouco a vida, muito pouco ainda, pra conseguir seguir em frente e porque quer ser feliz.

Peri, quantos aos preconceitos a povos especificos (cariocas, americanos), apesar de ter sentido um preconceito e ressentimento contra os brasileiros por parte do Zoon, to achando que isso foi mais egos que realidade. Coisas de meninos. A proposito, nao vai comentar o texto que lhe mandei por email?

Fiquei em duvida sobre como encerrar este post, mas sabia que com alguma musica do Chico Buarque. Nao sabia se "Deus lhe pague" ou "Meu caro amigo". Resolvi colocar as duas.

Sinto falta de voces e continuo sem acentos no teclado. Acho que pra sempre.

Meu caro Amigo (Chico Buarque)

Meu caro amigo me perdoe, por favor
Se eu não lhe faço uma visita
Mas como agora apareceu um portador
Mando notícias nessa fita

Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol

Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

Muita mutreta pra levar a situação
Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça
E a gente vai tomando e também sem a cachaça
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu não pretendo provocar
Nem atiçar suas saudades
Mas acontece que não posso me furtar
A lhe contar as novidades

Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol

Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

É pirueta pra cavar o ganha-pão
Que a gente vai cavando só de birra, só de sarro
E a gente vai fumando que, também, sem um cigarro
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu quis até telefonar
Mas a tarifa não tem graça
Eu ando aflito pra fazer você ficar
A par de tudo que se passa

Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol

Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

Muita careta pra engolir a transação
E a gente tá engolindo cada sapo no caminho
E a gente vai se amando que, também, sem um carinho
Ninguém segura esse rojão


Deus lhe pague (Chico Buarque)

Por esse pão pra comer, por esse chão pra dormir
A certidão pra nascer, e a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir
Deus lhe pague

Pelo prazer de chorar e pelo "estamos aí"
Pela piada no bar e o futebol pra aplaudir
Um crime pra comentar e um samba pra distrair
Deus lhe pague

Por essa praia, essa saia, pelas mulheres daqui
O amor malfeito depressa, fazer a barba e partir
Pelo domingo que é lindo, novela, missa e gibi
Deus lhe pague

Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça, desgraça, que a gente tem que tossir
Pelos andaimes, pingentes, que a gente tem que cair
Deus lhe pague

Por mais um dia, agonia, pra suportar e assistir
Pelo rangido dos dentes, pela cidade a zunir
E pelo grito demente que nos ajuda a fugir
Deus lhe pague

Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir
E pelas moscas-bicheiras a nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir
Deus lhe pague

domingo, 8 de março de 2009

mea culpa, mea maxima culpa

(em resposta ao comentário de Péricles ao post anterior)

Péricles, meu post anterior foi mesmo infeliz.

Talvez porque eu não tenha me permitido ter lazer nos últimos 10 anos, praticamente só estudando e trabalhando (aliás, os feriados de Carnaval são ótimos para intensificar estudos).

Talvez porque sei o quanto custou para mim e minha família - em termos de tempo, dinheiro e lazer - sair de uma vila na periferia e conseguir uma vida "classe média" (bem média, diga-se de passagem).

Talvez porque Brasília seja um paraíso no meio do Cerrado, e daqui seja impossível ver o que se passa na "realidade", como se a única realidade fosse a dos estados (fui irônico agora, tá?).

Talvez porque tenha escrito o post in a rush sacrificando minha hora de almoço...

É justamente por acreditar que há muitas realidades e que as pessoas escolhem o que querem viver que escrevi o post abaixo.

E sabe qual o problema de Brasília? Fica longe de tudo, e ninguém sabe o que se passa por aqui. Por conta de muitos deputados corruptos que não são de Brasília - eleitos pelos estados, disso ninguém lembra! - assume-se que aqui nada funciona, que os funcionários são vagabundos e todos ganham um monte de dinheiro sem esforço. Viver em Brasília é viver refém do preconceito. Nem a Globo, que presta o serviço de manter o país culturalmente e linguisticamente coeso, retrata a cidade como ela realmente é. Quando aparece em novela, é para mostrar corrupção, como se as pessoas daqui não trabalhassem seriamente.

Se você, caro leitor, acha que funcionário fica à toa em Brasília e ganha muito dinheiro - boa relação "ócio-dividendos" -, convido-o para passar uns dias aqui. Se o Brasil ainda funciona um pouco e cresce um pouco, não é sozinho, é à custa de muito trabalho, e muito trabalho também dos servidores públicos federais. É daqui que saem programas de governo exemplares como médico da família, redistribuição de renda (bolsa-família, pronaf, prouni e uma miríade de outros), assistência ao pequeno agricultor, proteção do meio ambiente etc., etc. Esses programas são essenciais e custam muito trabalho, estudo e dedicação por parte dos servidores públicos e dos políticos sérios (sim, eles existem!). A execução dos programas, em razão da capilaridade e de ineficiências múltiplas, ainda é insuficiente para antender a demanda. Mas sou otimista e acho que o Brasil ainda pode ser rico um dia. Ou pelo menos remediado, já estaria de bom tamanho.

Brasília não é esse paraíso de riqueza que se imagina. A cidade está rodeada de favelas, a região do entorno é uma das mais violentas do país. Se a maior renda per capita do Brasil está aqui, a maior desigualdade também. Brasília é um retrato do Brasil, um microcosmo: um pé no primeiro mundo (representado pelas mansões hollywoodianas do Lago Sul), outro na miséria (facilmente visível na face enrugada do imigrante nordestino que mora ali embaixo do viaduto e que, com sorte, vira porteiro depois de algum tempo).

Talvez eu tenha mesmo me expressado muito mal, em um momento em que estou trabalhando e estudando muito, vendo esse monte de gente vivendo uma fantasia sem fim, um verdadeiro mergulho no ópio, o circo do pão-e-circo... Vale lembrar que o ópio e as ilusões não enchem barriga.

Em resumo, eu queria ter dito exatamente isto: a quantidade de lazer do brasileiro me parece despropocional com o trabalho que se tem que fazer em todos os setores, privado e público, para que o país deixe a condição de subdesenvolvimento.

Parece-me que poderíamos fazer mais se sacrificássemos um pouco do lazer. É como poupar hoje para usufruir amanhã (tudo bem, tem um pouco de moral do trabalho em meu discurso), mas não quero fazer uma apologia ao trabalho-sem-fim.

Quanto ao preconceito, Péricles, todos nós o temos. Somos todos preconceituosos. Os meus foram carnaval e futebol. Veja os seus (no seu comentário ao post anterior):

- "o camelô que apanha da polícia no Rio (você deve achá-lo um vagabundo)"

Se você acha que eu penso que alguém que vende CDs piratas para alimentar a família é vagabundo, precisa me conhecer melhor. Tenho muita consciência de como vive o brasileiro. E toda vez que viajo ao exterior (e não é para passear, é para construir), passo a conhecer melhor o Brasil. Vagabundo é o playboy da Barra que compra droga do morro e financia a violência. É o político que não trabalha e torra o dinheiro público. É o médico que sonega imposto (esse trabalha, mas só para ele, e não pensa no país).

- "fanáticos e competitivos e psicopatas como os norte-americanos, que saem a metralhar aglomerações"

Se você acha que os americanos são isso, sinto por você, Péricles. Você pecou na generalização assim como eu pequei em generalizar com relação ao Brasil e ao Rio. Como te conheço há décadas (como é bom poder dizer isso!), sei que você não pensa assim e entende que não são todos os americanos que têm esse comportamento. Reconheçamos nossas fraquezas ao nos expressar. A língua é uma barreira ao pensamento.

- "o paraíso dos funcionários públicos que não fazem nada (ou fazem muito... estrago!) com o dinheiro de todos nós"

Isso foi ofensivo.

Faço aqui meu mea culpa, mas não sem antes argumentar (o logos é a essência da vida intelectual).

Cá entre nós, Péricles, a gente precisava esquentar esse blog! Obrigado pelas críticas!

Grande abraço! (cadê nossa amiga?)

quinta-feira, 5 de março de 2009

Ineficiência

Não há dúvida de que tempo e dinheiro são preciosos no mundo atual. O que me surpreende é a capacidade de se ocupar tanto com futebol e carnaval (os cariocas que me perdoem) enquanto há tanta coisa para se fazer.

É melhor passar o ano todo juntando dinheiro para gastar com a fantasia de carnaval.
Ë melhor gastar horas a fio sambando na quadra da escola, preparando para o grande dia.
É melhor ver o Vasco, o Fluminense ou o Botafogo suando a camisa.
É melhor pagar pra ver o jogo.
É melhor fazer um esforço coletivo para a escola de samba ganhar.

Mas ruim mesmo é
- passar o ano juntando dinheiro para comprar livros
- gastar horas a fio em frente a um livro, na biblioteca, preparando para o grande concurso
- suar a camisa no trabalho
- pagar para sua qualificação profissional
- fazer um esforço coletivo para melhorar as ruas do bairro

Enquanto o brasileiro-padrão samba e torce, o japa, o chinês e o alemão trabalham, estudam e ficam ricos.

É Goooooooool!

segunda-feira, 2 de março de 2009

Ao que interessa

Mirla é eliminada do Big Brother. Pesquisa alerta para o risco de bactérias no ar condicionado. Médico proíbe Hugo Chávez de discursar por três dias, devido a infecção na garganta. PMDB e PT disputam bilhões de fundo de pensão. Passageiros de transatlântico ficaram dois dias sem água e luz em alto mar. Exame pericial confirma: brasileira na Suíça tem problemas psiquiátricos. Explosão que matou três peritos está ligada ao tráfico de drogas promovido pelas Farc na Amazônia. Bispo que negou holocausto defende nova invasão à Faixa de Gaza. Família de Sérgio Naya herda processos dos moradores do Palace II. Adriana Luriko Kamada Ribeiro é eleita prefeita de Amarante do Maranhão. Ao inaugurar obra em Macapá, Dilma Rousseff afirma que o chefe da Casa Civil tem que ir aonde o povo está. Magistrados em campanha por aumento de salário. Presidente do STF avisa que Lula pode ser processado por conivência com crimes dos sem-terra. Quem lê tanta notícia? Vamos ao que realmente interessa: Botafogo é campeão da Taça Guanabara!

O resto fica pra amanhã...

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Re-feição

Tubarão que come peixe
Tubarão que peixe é
Só não come é o espada
Cuja escama vira escudo
E o escudo vira escada
Escada que pede pé
Pé que pede passagem
Pé de pato ou pé de cana
Pé de valsa no salão
Papel de bobo
Numa queda vai-se ao chão
Onde pousa o papelão
Jornal amassado,
Com cheiro de passado
Na pressa, passo da multidão
Embrulho de peixe
Comida de tubarão

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Ortográficas IV

Eu acho é que a língua portuguesa está perdendo parte de seu charme. Adoro línguas com tremas e caracteres diferentes - vejam só o œ francês, o ñ espanhol, β alemão e ø dinamarquês. São aparentemente desnecessários, mas dão charme. Assim como nossos queridos trema e é de assembleia(!?).

E não vai haver uniformização que convença que devamos dizer pequeno almoço no lugar de café da manhã, ou vice-versa. Ou seja, mudam-se as regras, criam-se milhares de dinossauros linguísticos e tudo continuará do mesmo jeito, "inacreditàvelmente". Só para que as futuras gerações possam rir de nós quando deixarmos escapar um vôo acentuado.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Ortográficas III

Hoje me peguei preenchendo um cheque:

"Cento e cinqüenta reais"...

Acho que sou o único cidadão a lembrar de botar o trema até em cheque. Agora que o trema nem existe mais, isso deixou de ser uma obsessão para se tornar uma obsessão gramaticalmente incorreta. Ou seja, uma dupla obsessão para mim, editor por sina e danação.

Hei de me acostumar ao sumiço das bolinhas, como foi com o fax, o videocassete, o micro-ondas (viram?!) e o celular. E o que mais houver de vir. Trema, tremei: sua derradeira hora chegou! Aquela em que um último brasileiro se lembrará de escrever-te ou imprimir-te, em tela ou papel. Terá sido meu cheque teu epitáfio? Cento e cinquenta reais (viram?!) não pagam os relevantes serviços prestados à nação. Mas sabes que a memória dedicada aos que saem de cena é assim mesmo, demeritória...

Tremamos todos: um dia, tremas seremos nós.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

tempo de mudanças

Gostaria de escrever mais, mas estou passando por um período de mudanças e novidades (nada sério, mas o foco está em outro lugar). Seguem, ao menos, algumas palavras roubadas:

"There is a point at which everything becomes simple and there is no longer any question of choice, because all you have staked will be lost if you look back. Life's point of no return." (Dag Hammarskjold)

Peri, será que o camarãozinho que resistiu não mereceria voltar para o rio? Ou ele já atingiu seu life's point of no return?

domingo, 18 de janeiro de 2009

Pituzinho é da família

Só sobrou o pitu. Uma doença misteriosa dizimou o diminuto cardume (será que essa palavra vale para 3 ou 4 peixinhos?) que ainda habitava o aquário.

Mais supresos ficamos ao voltar à lojinha de peixes e informar ao vendedor sobre a mortandade que acometera nosso aquário, e sobre seu único sobrevivente. "Engraçado, o pitu é o mais frágil de todos". Voltamos da loja sem nenhum peixe novo. Ouvimos uma longa explanação sobre a necessidade de desinfetar o aquário, providenciando uma provisória transferência do pitu, antes colocar outros moradores.

Ainda não partimos para mais esta reviravolta neste mundinho aquático recém-inaugurado no lar. Mas nosso carinho pelo pitu cresceu consideravelmente. Enternecidos, observamos a destreza com que passeia pela água, movimentando as patinhas como se fossem asas, pousando as finas antenas sobre os escassos objetos que decoram seu limitado universivo. Parece ter gostado de um brinquedinho de plástico que Bento ganhou no McDonald's, um personagen de desenho animado ainda desconhecido da casa. Se equilibra ali em cima explorando minúcias com suas garrinhas transparentes.

Já contei que um dia flagramos o "fantasma" dele flutuando pela água? Era a casca abandonada, com o mesmo formato de seu corpo. A descoberta causou frisson: pitu muda de casca!

Agora temos de fato um bicho de estimação. O que torna tudo mais intenso. E mais delicado.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Ortográficas II

Quando manter o uso do trema:

"Ele é do tempo em que se amarrava cachorro com lingüiça"

Ortográficas I

Vôo:
Em caso de pouso na água, utilize seu acento para flutuar.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Reis

Seis de janeiro. Dia de Reis. Na Argentina de Cortázar e Quino, as crianças enfim recebem dos magos os presentes que, por aqui, vieram bem antes, pelas mãos de um inexplicável velho barbudo hipervestido de vermelho, no aniversário de Jesus. Nonsense. Bem mais razoável é atribuir mesmo aos magos o papel de trazer os presentes aos pequenos, como levaram há 2008 anos ao bebê “nascido em manjedoura que de berço serviu”.

Ou 2009? Se o “ano 1” começou no nascimento de Cristo, começou num 25 de dezembro? Durou, portanto, seis dias? Inúteis divagações. O tempo humano já mudou de formatação tantas vezes que questionar sua lógica não leva a nada. Vamos fingir que o calendário é fato consumado e dançar conforme o tique-taque, caso contrário este post termina aqui. E não foi isso que eu planejei. Ele promete ser longo (ou durar muito, como queiram).

Aos fatos. Seis de janeiro é também o dia oficial de retirar as decorações de Natal. Vão-se as guirlandas, luzinhas de camelô dependuradas em todo canto e o Papai Noel gigante que desde novembro canta na minha janela das 18h às 22h, sentado na fachada de um banco para deleite dos turistas mineiros e suas câmeras digitais, e para nossa irritação. Vai-se a árvore de Natal gigante que engarrafa a Lagoa Rodrigo de Freitas. Chega ao fim, também, a curta existência da nossa árvore de Natal familiar.

Pela primeira vez, ela não é um ridículo conjunto de pedaços plásticos encaixados, de onde pendiam ainda mais ridículas folhinhas retangulares de papel verde-escuro. É uma árvore de verdade. Um mini-pinheiro, ou que nome botânico tenha aquilo. Veio num grande vaso, ao preço camarada de R$ 40. Um “pinheiro” de plástico do mesmo tamanho era vendido ali perto por R$ 400.

Uma árvore de verdade. Viva. Carente de água, luz e, dizem, carinho. Pendurar os enfeites com as crianças não foi fácil. As duras pontas das folhas espetavam nossos dedos. Os galhos finos mal resistiam aos enfeites mais pesados. Os mais leves se perdiam dentro da folhagem farta. Resultado: ela ficou meio mal ajambrada, irregular, despenteada. Mas dava satisfação ver as pequenas maçãs de plástico despontando aqui e ali. Dizem que o símbolo surgiu na Europa, quando os agricultores, ao fim do inverno, adornavam uma árvore com frutas e pães, oferendas à espera da fartura para quando chegassem as estações férteis. Não sou agricultor, moro em apartamento, minha comida vem do supermercado e meu salário não se abala muito com possíveis oscilações das safras. Ainda assim, nosso pinheirinho parecia fazer mais sentido do que bonecos de neve, bolas coloridas e ursinhos numa árvore de plástico. Se não temos mais ligação com a terra, ainda temos com o tempo: o ano acaba, e de alguma forma aquele ser vivo na sala de casa dizia algo sobre encerramentos e renovações. “Não esqueçam de regar!”. Três garrafinhas (de coca-cola) de água por dia seriam suficientes para mantê-la viçosa.

No dia 25, aos pés do pinheiro, Bento e Helena encontraram seus presentes de Natal. O principal, para ele, foi um aquário. Com direito a oito peixinhos e respectivos apetrechos para cuidá-los: rede, comida, pedrinhas decorativas, gotas anti-cloro. Incrível como o Papai Noel pensa em tudo, embora os peixinhos já parecessem meio sufocados após a longa viagem saindo do Pólo Norte e percorrendo o mundo ao contrário do fuso. Corri para encher o aquário sob o olhar admirado das crianças. A água não chegou à metade: o vidro estava trincado, vazou. Providencia-se uma bacia e tasca-se os bichinhos lá dentro: dois gupis, dois laranjas (o macho com rabo em forma de espada), um cascudo, um pitu, dois paulistinhas. Quando amanhece o dia seguinte, um paulistinha bóia inerte e o laranja macho simplesmente sumiu. Depois de alguma procura, o encontramos entre os lençóis do colchão ao lado do aquário. Também está morto. Enquanto a loja providencia o conserto do vidro, vigiamos a bacia, agora coberta com um tecido reticulado para evitar saltos suicidas.

Quem disse que ter peixe “acalma”? Passamos os dias fazendo visitas aflitas ao quarto, para ver se estão todos bem. Mas nossa inexperiência põe tudo a perder: a imprevidente transferência da bacia para o aquário provoca um choque térmico em seus frágeis organismos. Sucumbem, em seqüência, os gupis, o paulistinha, o laranja fêmea. Antes que o aquário fique deserto, providenciamos reposições: entra um casal de “mato grosso” e um “grandão”. Aparentemente adaptam-se melhor, pois chegam vivos a 2009.

Seis de janeiro. O cascudinho é mais um a dar adeus à nossa convivência, descarga abaixo. Dos pioneiros, resta apenas o pitu — camarão de água doce. Não só resistiu como cresce a olhos vistos, alimentando-se das sujeirinhas entre as pedras. “Se ele morrer você pode comer, pai”, diz Bento. Aos 5 anos, terá aprendido alguma lição com este estranho presente de Natal, sujeito à morte súbita? Trocar as pilhas, por exemplo, já sabe que não adianta.

A árvore? Três garrafas diárias não foram suficientes. Sabe-se lá de onde ela foi retirada originalmente, mas está claro que aqui não é seu lugar. Os galhos ressecaram, as folhas estão marrons, os enfeites estão mais visíveis. Seis de janeiro, dia de encerrar a tradição. Bem a tempo. Não dá para guardá-la numa caixa, e ela não desce pela privada. Mas estamos providenciando um fim digno.

Não foram vidas em vão. Cumpriram sua missão, de nos lembrar perdas e ganhos. Ano que morre, ano que vem. E a dádiva de acordar todo dia já não passa despercebida. Soa menos automática aquela velha frase — Feliz Ano Novo.